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A era dos veículos eletrificados e os novos desafios para os condomínios

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Impacto dos Veículos Elétricos em Condomínios e Normas de Segurança

A Ascensão dos Veículos Elétricos e o Desafio da Segurança em Condomínios

A crescente popularidade dos veículos eletrificados no Brasil está transformando o cenário urbano e, consequentemente, a dinâmica dos condomínios residenciais. O aumento expressivo no número de carros elétricos e híbridos circulando pelas cidades brasileiras, impulsionado pela busca por alternativas mais sustentáveis e pela evolução da tecnologia automotiva, apresenta novos desafios e exige adaptações na infraestrutura predial.

De acordo com dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), o país ultrapassou a marca de 200 mil veículos elétricos e híbridos leves em 2025. Esse marco representa um crescimento superior a 50% em comparação com os números registrados apenas dois anos antes. Esse avanço demonstra a rápida aceitação dos veículos elétricos pelo consumidor brasileiro e sinaliza uma tendência de crescimento ainda mais acelerada nos próximos anos.

No entanto, essa transição para a mobilidade elétrica não acontece sem desafios. Um dos principais pontos de atenção é a necessidade de garantir o carregamento seguro e eficiente desses veículos dentro dos condomínios. A instalação de pontos de recarga em garagens residenciais, antes uma exceção, torna-se cada vez mais comum e exige uma abordagem cuidadosa para evitar riscos e garantir a segurança de todos os moradores.

Diretrizes Nacionais e o Debate sobre Segurança e Custos

Diante desse cenário, o Conselho Nacional de Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares (LIGABOM) publicou uma diretriz técnica com o objetivo de orientar a instalação e o uso de pontos de recarga em condomínios. O documento estabelece padrões mínimos de segurança e busca reduzir os riscos de incêndio, um dos principais receios relacionados ao carregamento de veículos elétricos em ambientes fechados.

A diretriz da LIGABOM aborda diversos aspectos técnicos, como a capacidade da instalação elétrica do condomínio, a necessidade de dispositivos de proteção contra sobrecarga e curto-circuito, a utilização de cabos e conectores adequados, e a localização estratégica dos pontos de recarga para facilitar o acesso e evitar obstruções em caso de emergência.

Embora a iniciativa seja vista como um passo importante para garantir a segurança dos condomínios, a diretriz também gerou debates e questionamentos entre engenheiros, síndicos e moradores. Um dos principais pontos de discussão é o custo de implementação das medidas de segurança exigidas, que pode variar significativamente dependendo da infraestrutura existente e do número de pontos de recarga a serem instalados.

Além dos custos financeiros, a diretriz também levanta questões sobre as responsabilidades legais envolvidas. Quem será responsável pela manutenção dos pontos de recarga? Quem arcará com os custos de eventuais reparos ou danos causados por falhas nos equipamentos? Como será feita a cobrança pelo consumo de energia elétrica dos veículos?

O Caso de Santa Catarina: Adaptação às Peculiaridades Locais

Em Santa Catarina, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado (CBMSC) está empenhado em elaborar uma nova Instrução Normativa que tratará especificamente do tema do carregamento de veículos elétricos em condomínios. O objetivo é adaptar as diretrizes nacionais às peculiaridades locais e estabelecer regras claras e objetivas para garantir a segurança dos moradores e a conformidade com as normas técnicas.

De acordo com a Major Polliana Müller Giacomin, chefe da Divisão de Engenharia da Diretoria de Segurança Contra Incêndios do CBMSC, a Diretriz Nacional da LIGABOM será utilizada como referência principal na construção da Instrução Normativa estadual. No entanto, alguns pontos poderão ser ajustados para levar em consideração as características específicas dos condomínios catarinenses e as definições técnicas adotadas pelo CBMSC.

“A Diretriz Nacional será utilizada como referência principal para a construção desse ato normativo estadual, entretanto, alguns pontos poderão ser ajustados de acordo com as peculiaridades locais e as definições técnicas adotadas pelo CBMSC. Assim, até a publicação da referida Instrução Normativa, não há ato interno vigente que torne obrigatória a aplicação imediata da Diretriz Nacional no âmbito estadual”, esclarece a Major Polliana Müller Giacomin.

Essa abordagem cautelosa e adaptada demonstra a preocupação do CBMSC em garantir que as normas de segurança sejam eficazes e aplicáveis, levando em consideração as particularidades de cada região e as necessidades dos moradores. A expectativa é que a nova Instrução Normativa contribua para um ambiente mais seguro e sustentável nos condomínios catarinenses, incentivando o uso de veículos elétricos de forma responsável e consciente.

Conclusão: Um Futuro Elétrico e Seguro

A transição para a mobilidade elétrica é um caminho sem volta, e os condomínios residenciais desempenham um papel fundamental nesse processo. Ao adaptar suas infraestruturas e adotar medidas de segurança adequadas, os condomínios podem contribuir para um futuro mais sustentável e garantir a segurança e o bem-estar de todos os moradores.

É fundamental que síndicos, administradores e moradores estejam atentos às novas normas e diretrizes, buscando informações e orientações de profissionais qualificados para garantir a instalação e o uso seguro dos pontos de recarga. O diálogo e a colaboração entre todos os envolvidos são essenciais para construir um ambiente mais seguro e adaptado às novas tecnologias.

Com planejamento, investimento e conscientização, é possível transformar os condomínios em espaços preparados para receber os veículos elétricos, impulsionando a mobilidade sustentável e garantindo um futuro mais limpo e seguro para todos.

Este artigo tem como objetivo fornecer informações gerais sobre o tema e não substitui a consulta a profissionais especializados em segurança e engenharia elétrica.



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